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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Especial 200: Depoimento da @nathaliamariel, uma concurseira vencedora

Amigos concurseiros, com este post chegamos a 200 postagens, uma excelente marca, embora tenha certeza que muitas outras centenas de posts virão! Hoje teremos a história da Nathalia Mariel (@nathaliamariel). Gostei muito da história dela e espero que motive outros concurseiros também! Vamos lá!
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Me formei em Direito no final do ano de 2010 em uma Universidade particular no meu estado (Pará) e consegui, depois de muitas provas e reprovações em concurso, aprovação em 2º lugar para o Cargo de Analista Judiciário – especialidade execução de mandados (AJEM) do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região-PA/AP. Muitos me deram parabéns, me elogiando pela “sorte”, por uma menina nova, recém-formada, já aprovada em um concurso público federal, mas eu sei, e quem me conhece sabe também, as diversas provas que fiz (bancos, MPU etc.) o esforço contínuo, o desdobramento entre estágio, TCC, bolsa de pesquisa etc.

Já no 4ª ano de faculdade estudava constantemente com organização e disciplina para provas em geral, sempre fui uma boa aluna, fiz monitoria, busquei aprender e dar meu melhor nos 5 anos de faculdade e graças a Deus e ao meu otimismo/fé constante consegui um excelente resultado quando ainda me formava!

Ocorre que, após nomeação e posse, fui lotada em uma cidade no sul do meu Estado, e acabei descobrindo a realidade de um Oficial de Justiça, entre tantas fazendas, perigos, estradas de chão, violência, falta total de tempo para dedicação ao concurso que eu tanto quero e sonho (Defensoria Pública da União) acabei por pedir exoneração do cargo em janeiro de 2011, ou seja, fui servidora pública por um mês.

Muitos me chamaram de louca, inconsequente, afirmaram que eu estava jogando uma oportunidade pela janela, sofri intensamente com essa decisão, tive que ouvir sermões de “entendidos” do assunto, caras de deboche, e lembro com muita clareza de cada choro escondido no meu quarto, de cada conversa intima minha e de Deus em que eu perguntava se eu tinha feito certo.

Enfim, como já havia passado na OAB ainda no 9º semestre de Direito, tirei minha carteira de advogada, passei a trabalhar eventualmente em um escritório, mas a determinação, a luta e a obstinação que eu sempre tive, vieram ainda mais fortes para buscar minha aprovação dessa vez para Analista Judiciária – Área Judiciária, se antes eu estudava 5 a 6 horas diárias, passei a estudar 12 horas incansáveis. Eram momentos de muita leitura e exercícios, acompanhadas de renúncias e a pressão/cobrança interna que me fazia pela aprovação.

Fiz a prova para AJAJ do Tribunal Regional Federal da 1ª região, minha primeira prova pós-exoneração e consegui aprovação em 15º lugar, ainda não era o suficiente, depois fiz o Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região – AC/RO e fiquei em 80º para AJAJ, foi quando meu mundo caiu, passei a questionar o método, passei a me perguntar se algum dia eu conseguiria minha vitória, a me perguntar inclusive se quando passei no TRT, se não teria sido realmente fruto do acaso e da sorte.

O erro nessas duas provas foi que elas ocorreram em semanas seguidas, fiquei sem foco, estudava ora trabalho ora penal, e assim vai, então meu primeiro e maior conselho a qualquer concurseiro é: foco, acredite em você, siga, mire e acerte.

Foi com essa idéia na cabeça que passei três meses de preparação unicamente para o TRE do Amapá, desanimei, cansei, me perguntei se não estaria fazendo errado buscando estudar unicamente para esse tribunal, questionei meu próprio foco, mas não o larguei de lado, persisti, rezei, pedi força e depois veio o resultado, 4º Lugar para Analista Judiciário.

Alívio, alegria, confiança, nada consegue descrever o momento em que vi a nota da redação que tanto me atormentava (9.5) e o meu desempenho na prova. Não foi o primeiro lugar, mas foi a prova que eu precisava, de que sim, eu tinha capacidade.

As lágrimas vieram e a felicidade imensa atacou meu coração. Agora é aguardar a nomeação e persistir estudando para a advocacia pública, meu novo foco.

Sou muito nova, me formei um dia desses, mas sei na pele o que é o valor de cada renúncia, sei a alegria de uma aprovação, sei o que é o peso da cobrança pessoal, e admiro todo concurseiro que batalha, estuda, e não desiste nunca do seu sonho, que acredita na sua capacidade, esse é o maior e basilar segredo, confiar em si, ter fé em Deus, nunca sair da “fila”, conseguir olhar para o passado vendo o progresso que teve e olhar para frente sem medo do desafio, esperando sua vitória.

Então, amigo concurseiro, marcado de vade mecum, não desista do seu sonho, agarre-o, dê sempre o seu melhor para conseguir fazê-lo realidade.

"Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos". (Pablo Neruda)


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Depoimento de um concurseiro vencedor: @marciojonees

Sempre tive em mente que desistir é uma atitude simples, acessível a todos, algo que não faz de alguém notório e lembrado por vencer grandes desafios. Desistir é algo que demanda uma única decisão e única ação. Nada mais. Com efeito, vencer e fazer jus a um lugar acessível aos nobres requer enfrentamentos diários, abnegação, superação e força hercúlea. O pódio nunca teve e nunca terá lugar para todos. Foi quando decidi de que galeria desejaria fazer parte.

Em 2005, iniciei meus estudos para concursos públicos, com um objetivo em mente: tornar-me servidor do Legislativo Federal. À época as coisas eram um pouco mais difíceis: poucas obras específicas, ausência de editoras que trabalhassem com esse segmento, além do fato de que sempre fui um péssimo aluno e não fazia ideia de como estudar – o que diria estudar com qualidade!

Nos cursinhos que frequentei, quando afirmava nas rodas de bate-papo que almejava ser servidor do Legislativo, era comum ouvir sentenças de desencorajamento, sob a alegação de que os certames promovidos pela Câmara e Senado eram extremamente difíceis, concorridos e que havia candidatos que há tempos estudavam para tais exames. Situações pelas quais todo concursando passou ou haverá de passar.

Considero, porém, fundamental a descrença e a dúvida daqueles que nos circundam. Isso confere um foco de “raio laser”, como dizia Bruce Lee, e faz com que, “cegos”, desenvolvamos uma obstinação que por pouco não se torna visível a olhos humanos. Essa era a essência daquilo que um professor outro dia apregoava em sala, ao sustentar que enquanto não apresentássemos sintomas de anormalidade, desequilíbrio, - hahaha - não estaríamos prontos para passar em concurso. Ele subcomunicava foco, gana, brio.

Foi quando em 2006, após assistir a uma palestra do William Douglas, e após comprar e avidamente ler a sua mais conhecida obra, aprendi como estudar e, sobretudo, que ferramentas utilizar nessa jornada trabalhosa, não mais difícil.

A partir daí notei que não precisava de talento ou algum dom que me fizesse alcançar qualquer coisa que quisesse e que fosse alcançável por um ser humano. Percebi que, dizia Calvin Coolidge, "nada no mundo consegue tomar o lugar da persistência. O talento não consegue; nada é mais comum que homens fracassados com talento. A genialidade não consegue; gênios não recompensados é quase um provérbio. A educação não consegue; o mundo é cheio de errantes educados. A persistência e determinação sozinhas são onipotentes." Vi que motivação é uma tarefa para todos os dias e, amiúde, me abordava com olhar fixo nos “objetos de desejo” estampados no mural de meu quarto, à deriva, como se pudesse tocar, sentir, cada um daqueles sonhos. Gostava de visitar empreendimentos imobiliários e concessionárias de automóveis a fim de me instigar a continuar estudando.

Foram muitas dificuldades, muitos cochilos em bancos de ônibus, muitos sapatos molhados com água da chuva, muitas cobranças de amigos e alguns familiares (apoio incondicional dos mais próximos também), muitas ocasiões em que, quando indagado sobre minha profissão, respondi ‘estudante’, e algumas reprovações – a mais dolorosa delas no concurso da Câmara dos deputados, em 2007, no qual por 16 posições não tive minha redação corrigida.

Contudo, não perdi o foco, não desanimei, não obstante houvesse dias em que, aparentemente, não iria suportar mais aquela rotina espartana de estudos. Em 2008, fui agraciado com a publicação do edital do concurso do Senado Federal. Digo agraciado, dada a sorte que tive, pois, no meu entender, sorte é a ocasião oportuna que se mostra quando estamos devidamente preparados.

Submeti-me àquele exame, logrei êxito em 21ª colocação para o cargo de técnico legislativo – apoio ao processo legislativo. E agora retomei, com afinco, as atividades no intuito de prestar o próximo certame da Casa para o cargo de Consultor Legislativo – Direito Constitucional e Administrativo.

De tudo que se disse resumo o que aprendi ao longo da jornada de preparação  com uma história contada pelo personagem do saudoso Richard Crenna, o Coronel Trautman, em Rambo III: “um escultor encontrou uma pedra especial. Ele a lapidou durante meses, até terminar. Os amigos lhe disseram que havia criado uma obra-prima. Ele disse que não criara nada. A estátua havia sempre estado lá. Ele só havia tirado o supérfluo”. Em síntese, o potencial todos temos. Resta saber o que tem o condão de exteriorizá-lo. É como um grande dragão adormecido.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Especial 100: Depoimento de uma concurseira aprovada!

Ei concurseiros, chegamos à postagem número 100! Vejam este depoimento, reconheçam o verdadeiro espírito de concurseiro e vão à luta, porque nada de bom nesta vida simplesmente cai em nossos colos! Esta história é bem semelhante à minha, pois também tive um filho antes de ter um emprego estável, fiz o concurso em 2000 e só fui nomeado em 2003, mas, no dia em que recebi o telegrama me chamando para posse e exercício, fui demitido da empresa onde trabalhava! Deus encaixou as coisas! Incrível como as coisas acontecem para quem luta, não?

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Olá concurseiros! Sou autora do @bizudeconcursos. Sou servidora concursada da Secretaria de Saúde do DF, cargo Técnico Administrativo. Esse é o primeiro concurso que consegui ser nomeada depois de tantos concursos que passei fora das vagas. Imagine o meu alívio, essa foi a primeira sensação que senti quando fui chamada, ALÍVIO. Alívio sim, pois chegar a ter o nome publicado no Diário Oficial depois de tudo que passei não tem explicação.

Sou de família humilde, meu pai sempre nos deu o necessário e frisava que a única riqueza que poderia nos deixar era o estudo e, para isso, se sacrificou muito para nos dar uma boa educação. Conseguir entrar na UnB, já estudava pra concursos (porém estudava de qualquer jeito) e logo em seguida fiquei grávida da minha única filha, eu que tinha tudo me deparei não tendo nada de uma hora pra outra. Perdi família, perdi casa, perdi apoio, perdi meu sustento, tive que ir morar com parentes e por um triz eu não perdi minha tão sonhada vaga na universidade pública. Fui do céu ao inferno por ter engravidado, por um deslize da minha vida, deslize esse que agradeço todos os dias, pois tenho uma filhinha maravilhosa. Abandonei os estudos para concursos, achava que “aquilo não era pra mim”. Tive que tirar forças de onde não tinha pra continuar a estudar e me manter com minha filha, eu não trabalhava na época, pois meus pais sempre disseram que era só pra eu estudar.

Até que me atentei que ser concursada poderia ser a chave que me libertaria, seria meu passaporte pra não passar pelo que eu estava passando. Estudar em uma faculdade pública, ter filha pequena em casa, estagiar para ter dinheiro pra se sustentar e sustentar a filha e ainda ter forças pra estudar pra concurso não foi nada fácil.

Comecei a usar isso como desculpa, entrei na fase dos concurseiros com “desculpite”, tudo era motivo pra não estudar, e fui levando isso por um bom tempo. Muita coisa aconteceu, voltei para a casa dos meus pais, terminei a faculdade, era do tipo “concurseiro contribuinte”, daqueles que só pagavam a inscrição e nunca estudava da forma como deveria e pior, ainda queria passar! Após ter me formado fui trabalhar numa empresa privada... ganhava o suficiente pro sustento, mas eu sempre quis mais, fui vendo os colegas passando em concursos e eu ficando pra trás, o sentimento eterno de ser demitida (no lugar em que eu trabalhava qualquer erro era motivo de demissão), até que comecei a estudar pra concursos de forma mais séria, porém sem qualquer método, de forma desorganizada. Meu pai, que é servidor público, passou a me pressionar de todos os modos pra passar logo em algum concurso, eu me pressionava cada vez mais por ver os colegas passando, ia pra prova com sentimento de derrota. Não tinha apoio pra estudar, recebi pressão pra passar, apenas isso e ainda ouvia os irmãos me zoando dizendo que eu era “jogadora ruim de bola que fazia concursos e passava na trave”. Claro que isso não poderia dar boa coisa. Aos 26 anos, e vivendo uma rotina louca de mãe, trabalhadora e concurseira, descobri-me hipertensa... Ouvi do médico: “ou você relaxa mais ou não terá vida pra relaxar”. Percebi que o que eu estava fazendo no dia-a-dia não dava pra parar, mas eu precisava ter disciplina, ter tempo e métodos pra fazer tudo, afinal, ter problemas na vida todos têm e isso não conta pontos a mais na prova.

Passei a estudar firme e colocar na cabeça que tem hora pra tudo, antes eu ia brincar com minha filha com culpa por não estar estudando, ia estudar com culpa de estar privando minha filha da minha companhia, acabava não fazendo os dois com qualidade. Se o tempo pra estudar era curto, então eu tinha que estudar com foco, acabava estudando e inventando mil macetes para relembrar quando fosse revisar, aproveitava cada minuto que eu visse que dava pra estudar (fila de banco, hora do almoço no trabalho, dentro do ônibus etc.). Claro que, como muitos concursados, a aprovação não veio de forma rápida, foi preciso não desistir, usar a derrota na prova como motivo para ver onde eu errei e estudar para melhorar.

Até que fui chamada pra assumir na Secretaria de saúde do DF. Como muitos concurseiros eu adotei a tática do trampolim. Passar em um concurso mediano para ter tranquilidade de estudar pra outros mais difíceis e com melhor remuneração. Hoje em dia, não me pressiono mais a estudar, estudo com tranquilidade e vejo a banca de concurso como um desafio que posso vencer e não como algo de “vida ou morte”, como se minha vida dependesse da aprovação. Isso só nos atrapalha na hora de estudar, trava o cérebro na hora da prova.

Não vejo o estudo para concursos como algo chato, obrigação de vida, e sim como algo de bom que você está fazendo por si mesmo. Com foco, determinação, métodos e muita disciplina, qualquer um pode chegar a ser servidor. Basta acreditar que pode e que consegue e correr atrás do seu objetivo.